Criação e história da série
A série, criada por Joss Whedon, pretendia-se à partida uma representação da vida adolescente com uma figura central feminina altamente activa.
Não se acreditava, no entanto, que as ideias apresentadas por Whedon, incomuns para a televisão americana da época, rendessem melhor do que o desastroso filme já anteriormente realizado sobre o conceito, escrito por Whedon mas realizado por Fran Kuzui, e a série foi concebida sob baixas expectativas de sucesso comercial ou crítico, estreando portanto no midseason de 1997 (em Abril), quando as séries principais estavam em intervalo (a temporada oficial começa em Outubro e vai até Maio), servindo originalmente de substituição temporária, com uma temporada de 12 episódios (ao contrário dos tradicionais 22).
Confrontada com o interesse público na série, a WB renovou a série para um segundo ano de 22 episódios. A série manteve o seu razoável desempenho em termos de audiências e grande interesse da parte dos círculos críticos, levando a uma terceira série.
Finalizada esta terceira temporada, no começo de 1999, há que notar a saída da personagem Angel, levando à criação da sua própria série, Angel, apresentando este vampiro com alma a oferecer ajuda contra forças malignas numa organização própria, na cidade de Los Angeles. A série, estreada em Outubro de 1999, durou cinco temporada de relativo sucesso crítico na WB.
Com a aproximação do final de sua quinta temporada o contrato entre a 20th Century FOX - a produtora - e a WB chegaria ao fim. A FOX queria um aumento considerável por episódio. A BaCV iniciou uma nova fase, algo polémica, pelo teor sexual ou gráfico ocasionalmente mais explicito e pelo estilo inicial pouco familiar, durando 2 temporadas no canal UPN, acabando em Maio de 2003, por escolha mútua de Joss Whedon e Sarah Michelle Gellar.
[editar] Concepção & influências principais
Em termos de influências principais, denotam-se frequentemente entre fãs e críticos elementos como filmes de terror B, filmes de artes marciais e o universo da banda desenhada (nomeadamente Homem-Aranha e Kitty Pryde, dos X-Men, como influências na personagem principal, em particular a segunda, cujos traços de personalidade Whedon reconhece como recorrentes nas suas personagens femininas).
Outras influências que se apontam, no mundo televisivo em particular, em termos de formato, são The X-Files (Arquivo X (br); Ficheiros Secretos (pt)), e My So-Called Life (Minha Vida de Cão (br)), o primeiro pela fórmula básica do chamado "monstro-por-semana", tendo cada episódio um mal específico a combater ou um qualquer problema a resolver que serve como cenário para o avanço das linhas narrativas da personagem, e o segundo pelo retrato da vida adolescente e noção de feminismo segundo linhas menos óbvias e menos defeminizadas. Whedon em particular reconheceu a importância desta segunda série.
Em termos, precisamente, dos conceitos feministas que os críticos frequentemente analisam e pelos quais a série é bastante discutida, Whedon afirma que a sua ideia básica para todo o programa era precisamente a de pegar na típica "valley girl", tonta, loira, e atraente, no seu papel de vítima recorrente em filmes de terror, e atribuir-lhe um papel activo e poderoso de agressão e de defesa. Por esta inversão de poder, Buffy enquadra-se frequentemente, em ciclos críticos e académicos em particular, na vaga dos 90 de novos símbolos televisivos femininos autoritários.
Para além da possibilitação da exploração da noção básica de feminismo que se atribui à série, os múltiplos demónios que surgem servem também como ferramenta metafórica para a condição social dos adolescentes no liceu/escola secundária, pretendendo os escritores frequentemente explorar temas associados a esta fase da vida através de analogias demoníacas, algo que contribuiu para a distinção da série dos seus pares, e, afirmam os fãs, para a sua identificação com a série e apelo da dita.